Uso de polivitamínicos também é necessário com o método sleeve

Dentre os métodos disponíveis em uma cirurgia bariátrica, o sleeve (conhecido academicamente como gastrectomia vertical) é bastante procurado pelos pacientes que não querem depender de suplementos polivitamínicos. No entanto, isso é um engano.

A nutricionista Farida Nichele Cortez, responsável pelo acompanhamento nutricional pré e pós-operatório dos pacientes do Dr. Glauco Morgenstern, explica que o método sleeve remove cerca de 80% do estômago e, embora o procedimento preserve o intestino intacto, o uso de polivitamínicos se faz necessário durante o período pós-operatório. “A retirada dessa fatia do estômago produz saciedade em função da capacidade gástrica e a presença do intestino intacto mantém a absorção normal de nutrientes. No entanto, durante o pós-operatório, o paciente se mantém muito tempo em dieta restritiva pela conduta nutricional gradativa aplicada para perda de peso, e isso implica no uso da suplementação obrigatória no primeiro ano”, revela.

As dietas restritivas não permitem que o paciente adquira todas as vitaminas, minerais e proteínas que necessita. Por isso, a complementação inicial. “Dentro do primeiro ano, ocorre o aumento das porções alimentares e instituição de uma dieta saudável e equilibrada. Quando o paciente atinge o consumo de nutrientes através do consumo dietético, já é possível avaliar a retirada do polivitamínico e proteína extra”, completa Farida.

A técnica sleeve traz menos prejuízos nutricionais que o bypass, mas não tira a necessidade de avaliação laboratorial regular, já que a redução da ingestão alimentar associada à retirada de cerca de 80% do estômago comprometem a saúde.

“A retirada do fundo do estômago implica na absorção da vitamina B12 pela diminuição dos níveis de fator intrínseco. Esta é uma vitamina que precisa ser regularmente monitorada pois pode ocorrer facilmente insuficiência ou deficiência, mesmo com a dieta correta. Além disso, vitamina D, cálcio, ferro e zinco necessitam de um olhar profissional mais rigoroso no primeiro ano e ao longo da vida, especialmente em mulheres”, completa a nutricionista.

Farida ainda enfatiza que, ainda que o paciente tenha suas preferências quanto à técnica de cirurgia bariátrica, a escolha final é da equipe, especialmente do cirurgião. “Deve haver comprometimento por que as cirurgias, muito mais que restritivas, desabsortivas ou hormonais, são comportamentais. Ou seja, não importa a técnica cirúrgica se não houver mudança de comportamento”, conclui.